Quarta, 24 Outubro, 2018 - 10:38

ESCLARECIMENTO (Noticia -Coelhos introduzidos em Espanha)

O Grupo +Coelho foi repetidamente contactado para esclarecimentos relativamente ao conteúdo de um artigo publicado ontem (22 de outubro de 2018, diário Correio da Manhã) dando conta que as autoridades sanitárias da ilha de Maiorca (Baleares), em Espanha, divulgaram a libertação e consequente sobrevivência de 200 coelhos-bravos geneticamente modificados para serem resistentes à febre hemorrágica viral dos coelhos (DHV).

De acordo com esta notícia, o património genético destes animais teria sido manipulado por investigadores espanhóis, por forma a apresentarem uma elevada taxa de sobrevivência à infeção pelo vírus.

Paulo Célio Alves, investigador do CIBIO-InBIO/Universidade do Porto e parceiro do Projeto +Coelho, especialista em Ecologia Molecular, Genética e Gestão de Mamíferos, contactou diretamente Rafael Villafuerte Fernandez, investigador do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC) e do Instituto de EstudiosSocialesAvanzados (IESA-CSIC), que colabora nos projetos que vêm sendo realizados na recuperação das populações de coelho-bravo em Maiorca (Ilhas Baleares).

O investigador Espanhol esclareceu que a notícia não corresponde ao que está a ser realizado em Espanha e que terá resultado de uma interpretação errada da informação transmitida. Desde logo, a notícia sobre as Baleares não foi difundida pelas autoridades sanitárias, uma vez que se trata de um estudo realizado pelo Serviço de Caça de Maiorca. Acresce que não foram “manipulados”, nem “criados”, coelhos geneticamente imunes à Doença Hemorrágica Viral dos Coelhos mas, na verdade,utilizados animais com elevados títulos de anticorpos, provenientes de populações de elevada densidade, resultantes da criação e manutenção de núcleos de elevada densidade, em condições controladas. A proteção imunológica de grande parte da população resultou naturalmente numa maior taxa de sobrevivência à infeção.Esta medida de gestão proposta pelo grupo liderado por este investigador tem sido aplicada em numerosas regiões de Espanha desde 2000.

Esclarecemos, portanto, que a notícia publicada no Correio da Manhã não reproduz o que está a ser feito em Espanha.

Os dados obtidos demonstram,porém, a importância de se avaliar os níveis de imunidade das populações naturais de coelho-bravo, bem como a manutenção de núcleos populacionais de elevada densidade, como forma de otimização da gestão.

A noticia refere ainda que, em Portugal, a doença está presente em cerca de10 a 20% dos coelhos-bravos, nos distritos de Lisboa, Setúbal, Évora e Santarém, segundo o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária. Esclarecemos que estes valores de prevalência do vírus da DHV não foram providenciados por investigadores ou técnicos do INIAV, conforme se lê na notícia.

Com efeito, nas suas inúmeras intervenções e na informação disponibilizada no site do INIAV, o Grupo de Trabalho +Coelho tem revelado as percentagens de imunidade das populações amostradas ao RHDV2, bem como as percentagens de positividade a RHDV2 e ao vírus da mixomatose nas amostragens de coelhos caçados e nos cadáveres encontrados no campo. Ou seja, esta trata-se de uma percentagem de positividade aparente, condicionada a uma amostragem oportunística, limitada por vários fatores (tais como mortalidade nas tocas, necrofagia, não deteção dos cadáveres nas prospeções ativas devido à vegetação, recolha e disponibilização limitada dos cadáveres para análise sanitária, etc.), e, por isso, não aleatória.

Acresce que, uma vez que não há informação sobre as densidades populacionais de coelho-bravo na grande maioria dos distritos de Portugal e que a deteção de animais mortos é condicionada por vários fatores, não é possível inferir-se ainda com precisão a percentagem de positividade real (prevalência real) dos vírus da mixomatose e da DHV na população de leporídeos, quer à escala regional, quer à escala nacional.

Noticia reproduzida de:

http://www.iniav.pt/fotos/editor2/noticia49_revistamvc_23out.pdf

Acesso Restrito

Necessita registar-se para visualizar os anexos